Conhecendo melhor o capacete!

Segurança é fundamental

É sabido que desde a pré-história o ser humano se preocupa de alguma maneira com a sua proteção, mas precisamente com a da sua cabeça. Diversos artefatos que poderíamos chamar de tataravôs dos capacetes modernos estão sendo guardados ou expostos nos milhares de museus pelo mundo. Porém, no ciclismo a situação não é tão antiga assim.

Preocupação com a cabeça não era o forte dos nossos antepassados do início do século passado, pois somente por volta de 1903 os ciclistas começaram a usar o que seria o embrião do capacete de segurança moderno, que se resumia a tiras de couro entrelaçadas e presas por fitas à cabeça. O modelito persistiu e dividiu espaço com capacetes de isopor até a década de 1970, quando uma nova tecnologia desenvolvida pela Bell Helmet Company criou o Bell Biker, o primeiro capacete feito com poliestileno expandido (EPS). Esse, sim, já se assemelhava aos capacetes atuais e, na época, foi o divisor de águas em termos de proteção à cabeça.

Durante aproximadamente 10 anos a Bell seguiu produzindo seus capacetes sem concorrência. Porém, em 1985, a Giro entrou forte no mercado. Associada ao projetista e ciclista Jim Gentes, que por sua vez tinha conhecidos na agência espacial norte-americana, (NASA), criou o modelo Prolight, que foi um dos maiores sucessos da marca até hoje. Tal fato acirrou a concorrência e animou o mercado, ávido por novidades que persistem em aparecer a cada ano.

No Brasil, só saímos da era do isopor em meados da década de 1980. Com a introdução  do mountain bike e a abertura das importações, chegaram ao país as mais conceituadas marcas de equipamentos e capacetes do mundo, abrindo de vez o comércio exterior.

Curiosidade: as empresas que anteriormente eram concorrentes ferrenhas e, de certa forma, foram as responsáveis pelo desenvolvimento desse equipamento atualmente uniram suas forças e trabalham juntas, produzindo com a maior tecnologia possível os capacetes das marcas Bell e Giro.

Evolução dos capacetes:

Com o avanço da tecnologia e a grande variedade de usos e necessidades, o mercado oferece atualmente uma ampla gama de marcas e modelos de capacetes que estão cada vez mais especializados. O desenvolvimento das modalidades radicais com a bicicleta também forçou os fabricantes a criarem capacetes de acordo com a periculosidade das manobras.

Com novos materiais, sistemas de travamento e segurança, mais ventilação, menos peso e visual atraente, os capacetes atuais conquistaram status no ciclismo moderno. Nunca se vendeu tanto capacete como nos últimos tempos.

Dicas para escolher o seu capacete:

* Escolha o capacete ideal para a sua modalidade. Ninguém vê piloto de downhill usar capacete de contra-relógio;

* Segurança acima de tudo. Modismos e tendências devem ficar de lado;

* Informe-se ao máximo sobre o capacete desejado;

* Nem sempre o mais caro é o melhor. Sua integridade é o que importa. Você não troca de capacete à toa, não é? Custo/Benefício, sempre;

* Teste bem o capacete escolhido, jamais ele pode ficar muito apertado nem tão folgado;

* A estrutura do capacete se deforma propositalmente para absorver os impactos. Após alguma forte pancada, ele pode estar trincado internamente e não oferecerá segurança. Troque-o por um novo. Jamais compre capacete usado;

* A maioria dos capacetes não tem garantia;

* Todo capacete tem prazo de validade.

Não basta ter o capacete, use-o. Você será mais respeitado e protegerá a sua saúde!

Fonte: Revista Bike Action - Edição 60 - 08/2005 - Todos os direitos reservados.

CAPACETE: USAR OU NÃO USAR?

Já chega! Não agüento mais ficar calado. Estou cansado de ver os ciclistas irem treinar deixando o capacete em casa. Infelizmente por causa dessa atitude injustificável, eles arriscam a integridade de seus cérebros nas ruas e trilhas, de modo inconseqüente.

 

Será que tudo só acontece com os outros? Diz um ditado popular: "brasileiro só fecha a porta depois de roubado". Isso significa para esses ciclistas: "nunca tive nada". Então esperem rachar seus crânios para depois dar o devido valor ao capacete.

 

O ciclista sergipano Edene Beserra, da categoria Elite/Master A, há dois anos, foi treinar e pegou o vácuo de um caminhão. Foi surpreendido por um buraco na pista e caiu próximo ao meio-fio. O asfalto lixou seu corpo e o capacete partiu-se em dois. Sem o capacete, no mínimo, ficaria em inconsciência - fora outras coisas. Seria mais provável um traumatismo craniano. Ou seja, risco de vida, com possíveis lesões para o resto da vida. Hoje ele só sai de casa com capacete. APRENDEU.

 

Se você acha que isso foi com ele, mas nunca vai acontecer com você, aonde está tanta certeza? Para morrer, basta estar vivo. É muito comum ver os ciclistas com speed não adotarem o capacete, justamente quem mais vive em contato com os carros. Motoristas respeitam muito mais os ciclistas devidamente uniformizados e com capacete. Isso impõe moral ao atleta e divulga o esporte de maneira segura.

 

As desculpas dos ciclistas que não usam capacete são as mesmas dos motoqueiros: "vou só até ali", "é pesado", "é feio", "é incômodo". São tantas desculpas esfarrapadas que não convencem ninguém, mas mesmo sabendo dos riscos, eles continuam facilitando. O companheiro capacete pode ser o que for, mas nada mais seguro do que ele na hora H.

 

Veja o meu testemunho: em julho de 2004, na Mata do Junco, em Capela, fui surpreendido por um galho em uma curva fechada. O impacto foi forte, fui ao chão e, mesmo com apoio do capacete, fiquei desorientado. Sem o capacete, seria muito pior.

 

Não falta ninguém pra lhe dizer que viu alguém ter maior problema em um acidente por falta de capacete. Eu já vi muitos acidentes e uso o meu. Se você quer adrenalina, faça com segurança. Se você nunca teve nada por não usar o capacete, não espere para ter. Ninguém conhece o futuro.

 

José Marcelo Pereira

Editor do site BikeSergipe

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