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Cicloturismo para iniciantes - Parte 1:
Josiel de Assis, locutor, natural do Rio de Janeiro, reside em Blumenau, no Vale do Itajaí em SC. Vice-campeão Master de MTB no município de Indaial em SC. Pratica cicloturismo há cerca de 3 anos e vem nos dar seu testemunho sobre o uso da bicicleta como meio de transporte em viagens.
Para os cicloturistas iniciantes ou veteranos vale a pena ler a matéria e tirar dúvidas, aprofundando no assunto e ganhando experiência com quem conhece bem a essência do cicloturismo.
Para facilitar a leitura, dividimos a matéria em duas partes. Na próxima atualização do site BikeSergipe será publicada a segunda parte. Boa leitura!
Cicloturismo
Comecei a praticar cicloviagens não faz muito tempo, porém o suficiente para me apaixonar por essa maneira diferente de usar uma bicicleta. Se tivesse que definir o cicloturismo em poucas palavras, eu diria que é a união de duas atividades que dão grande satisfação: o Ciclismo e o Turismo, ou seja, o prazer de pedalar junto com o prazer de conhecer lugares. Mais simplesmente, basta dizer que é o uso da bicicleta para viajar e fazer, literalmente, turismo.
O cicloturismo não é nenhuma novidade no Brasil, é possível encontrar pessoas que já o praticam há mais de 20 anos, mas, apesar de tudo, ainda é encarada como uma atividade um tanto incomum em terras tupiniquins.O cicloturismo é reconhecido como uma modalidade do ciclismo e é uma realidade na Europa, onde se dispõe de estradas exclusivas para essa atividade. São as chamadas "Vias Verdes", onde é possível conhecer vários países sem se desviar de suas rotas. Já no Brasil a realidade é bem outra. Cicloviajantes ainda são vistos como gente que faz algo "estranho" (prefiro chamar de diferente), há quem os chame de loucos e pense que uma viagem de bicicleta é coisa de "doido".
Às vezes os cicloviajantes são comparados até a peregrinos movidos pela fé e sofrimento. Não raro, são questionados se a viagem se trata de alguma promessa, dado o esforço e a dificuldade das mesmas. Ou, de uma maneira mais divertida, diz-se que "tem que ter muita coragem para se fazer algo assim". Bem... Como tudo na vida, inclusive o que dá prazer, a cicloviagem necessita de um certo esforço, mas não necessariamente de sacrifício, e de um pouco de coragem para dar a "largada", porém nada que "simples mortais" não possam fazer.
Limites no cicloturismo
A cicloviagem se torna um prazer para o praticante quando respeitados certos limites. Excessos não são saudáveis e podem se tornar prejudiciais, afinal, cicloviajantes não são "super-homens", são pessoas comuns que resolveram romper com o tradicional e misturar aventura e lazer. Mas a verdade é que viajar de bicicleta só é um lazer desde que considerados alguns fatores como por exemplo, o grau de dificuldade e o preparo do praticante, pois se alguém quiser "se matar em cima da bicicleta", com certeza vai conseguir, caso não respeite seus próprios limites.
Ao se planejar uma cicloviagem, uma das primeiras e mais importantes preocupações é a satisfação da realização de todo o projeto. O praticante deve planejar tudo de maneira a iniciar e terminar a viagem com o mínimo de dificuldades, aproveitando ao máximo tudo que ela pode proporcionar. Esse é, senão o principal, um dos principais fatores que devem ser levados em conta ainda no projeto.
Bicicleta
Vamos conhecer alguns pontos e preocupações comuns aos praticantes dessa modalidade de viagem, e é claro, nossa ferramenta de trabalho, a bicicleta.
Comecemos pela mais importante: a bicicleta, a grande vedete nessa modalidade. A não ser que você tenha vindo de outro planeta, sabe o que é uma bicicleta. Já deve ter visto, tocado, pedalado e quem sabe já teve (ou tem) uma zica, magrela, camelo, ou seja lá qual for o nome que ela recebe na sua região, creio assim, que não preciso explicar o que é uma.Para algumas pessoas, (como eu) a bicicleta é a coisa mais maravilhosa que Deus já pôs sobre a face da terra (depois da mulher!), ela existe em todos os cantos do mundo, nos mais variados modelos e para as mais diversas utilidades. Bastante popular em paises como China, caras e de difícil acesso em países árabes, elas fazem parte dos desejos de 11 entre 10 crianças.
Quem não desejou ter sua própria bicicleta quando era criança talvez não tenha tido infância! A bicicleta faz parte do folclore e da cultura de muitos povos e sobre ela existe uma vasta literatura especializa para quem deseja se aprofundar. Totalmente associada ao lazer, a bicicleta que às vezes é chamada de bike, é a razão primeira e fundamental desse tipo de viagem. Nota: Bike é o termo em inglês mais usual para se referir à bicicleta, o correto seria "bicycle". Sem ela nada disso seria possível. Aqui nos ocuparemos do seu uso como meio de transporte, sem pretender entrar em maiores detalhes, apenas esclarecendo algumas preocupações comuns no seu uso ao realizar uma viagem.
Escolha da bicicleta
Pra começar, a escolha da Bike é totalmente pessoal, não existe uma fórmula para a isso, ficando a critério do praticante a escolha do modelo mais adequado. Vemos na prática que a escolha depende muito mais da condição financeira do que da necessidade e praticidade do modelo. No caso de cicloviagens, as preferidas são as MTBs (Mountain Bikes). Devido ao seu aspecto mais rústico e resistente, as MTB são recomendadas para viagens nas (mal conservadas) estradas brasileiras e podem ser encontradas em qualquer loja, até mesmo fora das especializadas em bicicletas como por exemplo lojas de móveis e eletrodomésticos e nas mais variadas faixas de preço.
Caso seja usado outro tipo que não seja uma MTB, vale ressaltar que o mais importante é que ela seja resistente e tenha um sistema de troca de marchas, itens extremamente úteis independente do trecho que se vai percorrer, mesmo que seja pelo melhor e mais conservado trecho de asfalto. Uma vez que a bicicleta será usada para percorrer diversos tipos de estradas, pavimentadas ou de chão, trechos curtos ou longos, se faz mister que possa ser adaptada para o transporte da bagagem do viajante, sem prejudicar sua versatilidade e desempenho. O bom senso será o grande guia nessa importante escolha, mas recomendo ao principiante recorrer à orientação de um praticante mais experiente, principalmente quando se trata de seus primeiros contatos com o cicloturismo. Não preciso nem dizer que não se deve confiar cegamente no vendedor, pois ele, como muitos funcionários desse setor, pode ter "papo de vendedor"!
A essência do cicloturismo
Conhecida nossa ferramenta de trabalho, vamos conhecer mais sobre esta modalidade de ciclismo. Alguns nomes são comumente utilizados para se referir à prática: cicloturismo, cicloviagem e clicloaventura. Todas descrevem a mesma atividade, ou seja, o ato de viajar de bicicleta, mas existem várias peculiaridades na maneira de praticá-la.
Uma viagem de bicicleta pode ter finalidade turística, na qual o praticante deseja conhecer lugares, pessoas e paisagens, da mesma maneira que faz um turista convencional, porém utiliza a bicicleta para tal. Ou a meta principal pode ser a locomoção. Como numa viagem tradicional, o praticante sai de um determinado lugar e vai até outro, e não é dada tanta importância aos pontos turísticos ao longo do trecho percorrido. Ou ainda, a atividade pode ser mais vista como um esporte de aventura, na qual o praticante procura por lugares diferentes, pouco freqüentados e por caminhos pouco usuais. Surpresas são uma constante e o praticante tem de estar disposto a improvisar e enfrentar dificuldades a todo momento. A bagagem deve ser minuciosamente planejada e o condicionamento físico pode ser tão importante quanto o equipamento.Cultura do cicloturismo
A pratica do cicloturismo não se trata apenas de pegar uma bicicleta, escolher uma direção e sair por ai pedalando. Tem de se considerar o trecho a ser percorrido, a bagagem, o equipamento, preparo físico e psicológico do praticante. Tudo isso sem esquecer que a escolha de caminhos seguros e repletos de belas paisagens transformam a mais simples viagem num grande acontecimento, uma realização memorável. O que vai te dar grande satisfação podendo inclusive, despertar o interesse de outros cilcloviajantes em conhecer e percorrer o mesmo trecho, incentivar ciclistas tradicionais e até mesmo quem nunca se aventurou em cima de uma "magrela", trazendo mais praticantes para essa atividade ecologicamente correta.
Primeiros desafios...
Uma vez que você decidiu viajar de bicicleta, a primeira etapa a ser vencida é convencer seus parente e amigos que você não ficou louco. Prepare-se para ouvir aquela sua tia chata dizer coisas como: "Não tem ônibus para ... (seu destino) ?"; "Vai pagar promessa?"; "Ficou doido?" ou "Ai meu Deus... O que está acontecendo com esse garoto???".Vencida essa etapa, vamos ao planejamento da viagem propriamente dita. A boa vontade é o maior estimulante para quem deseja se iniciar e praticar o cicloturismo. Como você já percebeu, certos fatores, desde o inicio do projeto, em maior ou menor grau, podem ser desanimadores, até mesmo para praticantes mais experientes.
Mas apenas boa vontade não é combustível suficiente para se realizar uma cicloviagem, é necessário reconhecer e respeitar as dificuldades do trecho a ser percorrido, a praticidade do equipamento que se tem em mãos, e claro, os limites do próprio corpo, o que pode fazer você ganhar o dia e evitar algumas frustrações. É extremamente desagradável descobrir no meio de uma jornada, e quase sempre da pior maneira, que se pegou o caminho errado, que não se está usando o equipamento adequado para aquele trecho e que se está levando bagagem sem nenhuma utilidade, ou o que pode ser ainda pior, que se está fora do condicionamento físico ideal.
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