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ENTREVISTA COM MESQUITA
Poucas pessoas que veem uma prova de mountain bike de Sergipe sabem da história da modalidade radical no menor estado do país. Alberto Jorge Mesquita, 50 anos, o "mosquito", como fora chamado outrora, é um divisor de águas do segmento, revolucionando absolutamente o esporte amador dos ciclistas portadores de bicicletas aro 26.
Embora envolvido em outras atividades totalmente diferentes, o mountain bike é uma época marcante na vida deste policial civil, cuja dedicação formou uma geração inteira de mountain bikers de todos os tipos. Todos os ciclistas adeptos de mountain bike de Sergipe devem tirar os seus capacetes para reverencia-lo, pois ele foi o principal responsável pelo desenvolvimento alcançado até hoje.
Em homenagem aos 10 anos de fundação do Clube de Mountain Bike de Sergipe, o site BikeSergipe conseguiu uma entrevista com Mesquita e trouxe revelações importantes para iniciantes e veteranos.
01 - Como estava o mountain bike de Sergipe quando o senhor assumiu?
"O mountain bike na realidade não existia, apenas grupos de amigos que se reuniam para pedalar. Foi quando nós tivemos a idéia de fazer uma exposição no Shopping Riomar, eu, Magal, Robson e outros e, a partir daquela exposição, eu perguntei ao grupo se havia interesse em fundar um clube. Todos concordaram e eu providenciei a papelada, estatuto e os outros detalhes. Marquei uma reunião na FSC na rua São Cristóvão [antiga sede da Fundesp, órgão do governo do estado que gerenciava o esporte - na época o Batistão estava em reformas], onde apresentei oficialmente o Clube de Mountain Bike de Sergipe, em 10 de maio de 2000."
02 - Mas a FSC já tinha campeonatos de MTB antes, não era?
"Tinha, mas era muito misturado, com bicicletas de todos os tipos. Não eram atletas com bicicletas regulares."
03 - Por que fundou o Clube de Mountain Bike de Sergipe ao invés de assumir a vaga do departamento de MTB da FSC?
"Naquela época, apresentei ao então presidente da FSC Marcelo Christiano a idéia do CMTBSE e ele não me convidou nem eu me prontifiquei a assumir nada, pois quando lancei o Clube preferi que fosse outra pessoa como presidente. Para ajudar na retaguarda, fiquei como secretário para incentivar."
04 - O seu trabalho em prol do mountain bike foi revolucionário. A modalidade estava embalada em 2002. Por que desistiu?
"Problemas internos. Fiquei incomodado com a insatisfação de alguns atletas que queriam muito mais e cheguei ao ponto em que não tinha mais lazer com a minha família e minha vida pessoal e isso me irritou muito. Preferi deixar o Clube para quem quisesse assumir."
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05 - O senhor adaptou o enduro ao MTB, fazendo muitas provas com muito sucesso. De onde trouxe essa experiência? Por que mesmo reassumindo em 2004 e 2007 nunca mais o realizou?
"Trouxe o enduro do motociclismo, pois participava das provas da Federação Sergipana de Motociclismo e também porque era presidente do grupo Motoclube Fox Trilha [extinto grupo especializado em enduros]. Resolvi variar o mountain bike com essa modalidade e a turma gostou, tendo muitas provas com enduros. Quando voltei ao Clube, pensei em voltar a fazer, mas desisti, pois todo mundo queria prova, mas ninguém ajudava em nada. Sozinho eu não podia fazer nada."
06 - O senhor também inseriu o downhill no mountain bike de sergipe, sendo referência em todo o Nordeste, atraindo pilotos de vários outros estados. Por que parou?
"O downhill também foi uma idéia minha e de vários atletas. Iniciamos o downhill como experiência e imediatamente abrimos caminho no Nordeste, onde surgiu a Copa Nordeste de Downhill junto com outros amigos da Bahia, Paraíba, Alagoas e Pernambuco. A primeira experiência [em 2004] foi na escadaria do Monte Carmelo, em Carmópolis, com apoio da prefeitura municipal, sendo repetida outras vezes. Parou porque faltou ajuda por parte dos atletas e outros motivos"
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07 - Por que o senhor nunca registrou o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) do Clube de Mountain Bike para angariar patrocínios de órgãos públicos e conseguir reconhecimento público?
"Bom, primeiro eu tinha que organizar a casa, ou seja, o CMTBSE. Eu não estava conseguindo formar um grupo coeso, com diretoria e ciclistas sincronizados no mesmo ideal. A turma dispersou-se, com cada um tomando seu rumo. Vi que tudo ia cair sobre minha cabeça. Antes que eu ficasse sozinho, resolvi parar e esperar o melhor momento."
08 - Nenhum ciclista teve destaque fora do estado, apesar de termos bons nomes como José Juciano "naninho" e André "formigão". Por que não exportamos nenhuma revelação do MTB para o Brasil, tal qual aconteceu com Marcos Vinícius e Gideoni Monteiro no ciclismo?
"Nós tivemos bons ciclistas em downhill e cross country que se destacaram por participar de provas em outros estados. O Clube sozinho não tinha a condição de exportação de atletas. Tivemos vários problemas políticos e burocráticos internos e externos."
09 - Qual a sua avaliação para o trabalho de seus sucessores Ruperto Magalhães, Raimundo "tato" e Sidney "magal"
"Os primeiros sucessores trouxeram a idéia de que o Clube era uma atividade lucrativa e quiseram faturar com as provas, não obtendo êxito. Ruperto conseguiu alguns patrocínios com parentes empresários [Escurial], mas quando acabou a fonte, o clube afundou. Em minha gestão, eu trabalhei sempre em prol do mountain bike sem visar retorno financeiro. De maio até o final de novembro do ano 2000, todas as premiações, troféus, lanches, água mineral era tudo por minha conta. O Clube nunca teve dinheiro em caixa. O primeiro patrocínio que tivemos foi doado pela loja Eletrobike, com o qual começamos a respirar melhor."
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10 - E sua opinião sobre "tato" e "magal"
"Bom, mas também sofreram as dificuldades, pois pensavam uma coisa e encontraram outra. A minha gestão teve bons resultados porque eu tinha ajuda de bons amigos empresários e políticos."
11 - Por que o senhor nunca mais prestigiou nenhum evento de MTB?
"Prestigiei a prova contra-relógio [realizada no final de 2009]. Estou evitando comparecer, pois foram dez anos de sufoco fazendo o que eu gosto que é a aventura e a diversão. Só que tenho muitas outras atividades pessoais e às vezes não posso participar do MTB."
12 - O senhor pretende fazer mais alguma coisa em prol do mountain bike?
"Agora você me pegou [risos]. Conversei sobre isso recentemente com Júnior [da loja A Bimocar Bikes, vice-presidente da FSC] em fazer uma prova de downhill. Perguntei pelos pilotos e ele me disse que estão todos dispersados e parados. Tenho muita vontade de voltar. Pode ser que aconteça."
13 - O que o senhor acha da situação atual do MTB e fale sobre o futuro da modalidade."
Não posso falar da situação atual, pois estou afastado. O futuro pode ser promissor."
14 - Mande um recado para quem está começando agora no mountain bike.
"A minha opinião é que o iniciante some-se ao movimento para ajudar. Caso não acredite na diretoria vigente para auxiliar não vai ter nada, nem prova nem movimento. O Clube é formado por dirigentes e atletas. Se todos não estiverem uníssonos, não haverá futuro."
OUTRAS ATIVIDADES
Mestre Maçom;
Palestrante e divulgador do sistema operacional Linux;
Coordenador do Bodes do Asfalto Moto Clube - Facção Aracaju;
Participante de Rappel, Canoagem, Trekking, Mergulho, corridas de aventuras e Radio-Amadorismo. |
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