
![]()
Entrevista: Gideoni Monteiro
Site BikeSergipe entrevista Gideoni Monteiro
Texto e fotos: José Marcelo Pereira
maxemarcelo@uol.com.br
Publicado em 04 de novembro - Aracaju - SE
Gideoni Monteiro posa em frente ao Mirante da praia 13 de Julho, um dos maiores cartões-postais da capital de Sergipe
Pose vestido com a camisa do site BikeSergipe
Vencedor de todas as provas da XIX Copa Nordeste de Ciclismo, em Caruaru/PE, na categoria Júnior
Quanto custa um sonho? A resposta depende da perseverança, do sacrifício e do sofrimento que o sonhador empreender e se submeter para realizá-lo. O ciclista Gideoni Monteiro sabe muito bem o que é isso. Aos 17 anos de idade, Gideoni chegou em Iracemápolis, São Paulo, com um grande ideal de vida: integrar uma equipe de ciclismo e viver do esporte. Esta iniciativa teve o custo alto de comer o pão que o diabo amassou para firmar-se no cenário nacional e internacional.
Adolescente, sentiu saudades da família e dos amigos, teve vontade de desistir de tudo e voltar à Aracaju, Sergipe, terra onde despertou-lhe o prazer de competir com bicicleta. Entretanto, Gideoni manteve a fé e vislumbrou muitas oportunidades, apesar das dificuldades. Na equipe Peels/Caloi/Nossa Caixa/Iracemápolis - sua vitrine - o contrato encerra-se em 2008, mas em 2009, o cearense de Sobral e sergipano de coração estará integrando a tradicional equipe italiana Spersenigo.
Gideoni Monteiro tem 19 anos, é o primeiro colocado no Ranking Nacional, e será exportado pelo acordo entre a Confederação Brasileira de Ciclismo e o Projeto Revelando Talentos, de Luciano Pagliarini. Incentivado pelo tio, Roberto Monteiro, Gideoni jamais imaginou tamanha badalação em sua vida como em 2007 e 2008, com vitórias em provas tradicionais como a 9 de Julho, Panamericano do Uruguai e participações no Mundial Sub-23 (40º na prova Contra-Relógio Individual - 33Km - e 104º entre mais de duzentos concorrentes na prova de estrada - 180Km).
O site BikeSergipe aproveitou as duas semanas em que o garoto-prodígio esteve em Aracaju e fez a seguinte entrevista, onde mostra que seu sucesso é fruto de muito trabalho e dedicação.
O que um ciclista amador do Norte-Nordeste deve fazer para brilhar em uma equipe profissional no Sul-Sudeste do Brasil?
Suportar as provações de ficar longe da família e dedicar-se muito para obter resultados. Durante o meu estágio, consegui muitas experiências, como esquema tático de equipes, treinamentos, alimentação e outros detalhes que amadureceram os meus conceitos, mas a força de vontade deve sempre prevalecer.O que você espera em sua participação na equipe Italiana?
Minha expectativa é a melhor possível, pois a Itália é um grande sonho que está sendo realizado. Desde pequeno assistia vídeos de Tour de France e sempre tive vontade de estar lá, sendo um ciclista profissional. Lá [na Itália] quero manter a mesma dedicação, suprindo as exigências da equipe, de acordo com o meu potencial.Qual a sua avaliação sobre o trabalho das federações nordestinas para revelar novos talentos?
O Nordeste tem muitos valores escondidos, sempre digo isso lá em São Paulo. Acho que as federações nordestinas estão tendo todo o amparo da CBC [Confederação Brasileira de Ciclismo], pois o Zé [José Vasconcelos - presidente] está dando todo apoio, como as Copas Norte-Nordeste e Nordeste, onde estão os maiores talentos. Anseio que isso só tende a crescer. Exemplos como Bozó [Kléber Ramos], Maxwell Rocha, Carlos França, Roberto Pinheiro, José Eriberto, mancha [Marcos Vinícius] e outros, abrem as portas cada vez mais.Qual a personalidade exigida pelas equipes profissionais de ciclismo?
O ciclismo europeu é muito rigoroso. É muito organizado e sistemático. Os dirigentes de equipes preferem quem esteja disposto a obedecer, mas com flexibilidade, para suportar as diversas pressões. O ciclista brasileiro se destaca por não ser tão exigente e ter alegria.Qual a sua avaliação pessoal em ser revelação do ciclismo brasileiro em 2007 e 2008?
Eu fico feliz, mas não posso esquecer que nunca estive sozinho. A Federação Sergipana de Ciclismo, meus pais, meu tio [Roberto Monteiro, da loja Sportciclo], Marcos Vinícius, Bulk e amigos da equipe, além da Confederação Brasileira de Ciclismo sempre estiveram comigo. Os meus resultados vieram aos poucos, sem queima de etapas. Tive cuidado em ir com calma para fazer tudo na hora certa, fazendo sempre amigos.O que o Brasil pode esperar das novas revelações apresentadas por Luciano Pagliarini às equipes européias?
Pode esperar muito, pois os ciclistas que estão sendo exportados vão porque merecem. O Luciano Pagliarini e a CBC confiam muito em nós e faremos tudo para dar retorno, abrindo oportunidades para outros interessados.Quais as suas considerações finais?
Este ano foi muito produtivo para mim. Agradeço a todos os que me ajudaram a ser o que sou hoje, como o Luciano [Pagliarini], Federação Sergipana de Ciclismo, onde comecei a minha carreira e outros. Desejo que outros atletas do Nordeste sejam revelados, pois não é só em São Paulo que estão os grandes atletas. Que a CBC mantenha o seu trabalho sério. Anseio que os ciclistas nordestinos que conseguirem vagas em equipes que as sustentem com determinação. Saibam que não é fácil, mas com muita garra e esforço se chega lá.Bate-Bola & Jogo Rápido:
Hobby: Automobilismo
Comida: Massas
Bebida: Refrigerante
Música: Pop Rock
Ídolos no esporte: Miguel Indurain, Luciano Pagliarini e Laurent Jalabert
Sonho: Ser profissional, participar do Tour de France, Giro de Itália, Volta da Espanha, etc.Parabéns Gideoni!