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A HISTÓRIA DO BMX DE SERGIPE
Conheça a saga do esporte radical nas terras serigys
Texto: Rosinaldo Rodrigues dos Santos "dentão"
Adaptação: José Marcelo Pereira
Fotos: divulgação
Delegação de Sergipe em João Pessoa, na Paraíba, durante o Camp. Bras. de BMX, em 2004
Haroldo, do dirty jump
Street tem sido opção aos bikers do race
Apresentação de dirty jump, em N.Sra. de Lourdes, no sertão sergipano
Paulo Roberto, um dos ícones do race
Marcos "cross", baluarte do BMX sergipano
Em meados de 1982, surge em Aracaju a primeira prova de BMX do Estado com o apoio do SESC-SE e do Departamento Esportivo da Secretaria do Estado de Esporte e Lazer, na pista de BMX do areal, situada nos fundos do colégio Americano Batista, onde começaram a surgir os grandes nomes do BMX sergipano, entre eles: Marcos “cross”, Nem Ozeás, Nadson “orelhão”, Neguinho, Dogival “doge”, Fernando Bahia, Celso, Triguili, Pop, Andinho, Canarinho, Japiaçu , Paraguaçu e Rosinaldo “dentão”.
Parque da Cidade
Após alguns anos, com muito trabalho, foi inaugurada nossa segunda pista no Parque da Cidade Gov. Heráclito Rollemberg, também conhecido como Morro do Urubu, em conjunto com o SESC-SE.
O Parque da Cidade é um dos cartões-postais da capital sergipana, onde há um enorme e conservado zoológico, sofreu uma grande reforma recentemente, enterrando a antiga pista, que em outros tempos recebeu os ilustres pilotos de Recife, em destaque o grande amigo Vandré Vital, único a realizar uma das manobras mais cobiçadas pelos pilotos do BMX nacional - transpondo os obstáculos fazendo acrobacias aéreas como o can-can.
São Cristóvão
Sem pista para treinos e sem apoio das autoridades para dar continuidade aos campeonatos em Sergipe (o SESC-SE foi o único órgão que promovia os eventos), a turma começou a freqüentar um novo local, situado no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão.
O amigo Moreira iniciou um trabalho em conjunto com a prefeitura da cidade e alguns líderes políticos como Sr. Luciano, Sr. Wellington Figueiredo e o então prefeito Lauro Rocha, lançando a construção de uma pista básica para a prática do bicicross. Apareceram novos nomes, como exemplo: Jéferson Tadeu (Artjet), Jaminho, Marcos César (Marquinhos), Sivaldo, Ito, Elealdo, Adelmo, Pipoca, Luiz Cláudio "Evilásio", Claudiano entre muitos outros.
Era uma bela e competitiva pista onde todos os meses eram realizadas duas etapas (com direito a festas com trios elétricos!). O pessoal chegava às sextas-feiras e era a maior festa. Os baianos Laércio, Jones, Gringo, João Paulo, Domicio, Ricarlton, Faísca, Crica e Nirinho (o homem do Back-Flip).
A galera de Alagoas: Adeilson “potho” - hoje presidente da Associação Alagoana de Bicicross, desenvolvendo um grande trabalho em prol das crianças carentes da região. Luciano LC Cross, outra fera do back-flip, Móisés, do foto Stúdio, Orestes, o saudoso Toninho (em memória), Josival, Tioba, Papito e outros grandes amigos. A rapaziada de Pernambuco: Públio e Vandré Vital, sempre presentes nos eventos.
Sem pista para treinos
Os anos de muita adrenalina viraram poeira quando a pista teve seu final em 1996. A prefeitura a demoliu e construiu o ginásio poliesportivo no lugar. A turma do bicicross sergipano teve que se conformar com o descaso do poder público.
Em 1999, sem pistas próprias para os treinos de race, surgiram revelações no dirt jump, tendo os pilotos Haroldo, Denner, Dada, Alex, Júnior “cunhado” como maior destaque. Os points de treinos estão no bairro Lamarão (zona norte) e no conjunto Orlando Dantas (zona sul), em Aracaju. O Flatland, também apareceu e surgiu o Barbudo, vindo de Capela, interior do Estado. A cidade também é terra natal do renomado sergipano do BMX Nacional, DRAC (Draculão-Drac Paralelos).
Luiz Cláudio, baluarte do renascimento
Foi nesse período de aflição que apareceu Luiz Cláudio, também conhecido como Evilázio. Uma figura iluminada, determinada a lutar pela ressurreição do BMX Race. Devido ao longo período sem provas, construiu uma outra simples pista no conj. Marcos Freire II, em N.Sra. do Socorro, com o apoio da prefeitura. A pista hoje está desativada, com um outro evento esporadicamente realizado.
Entre as ações promovidas por Luiz Cláudio está o convênio firmado com o empresário Ivon “mineiro”, que ofereceu todo o material e equipamento necessário para construção da nova pista de bicicross na rótula do conjunto Orlando Dantas, local conhecido como Caldeirão do Diabo. A atitude do empresário é agradecida até hoje, pois são raras essas oportunidades.
Além de renovar a auto-estima do bicicross sergipano, com o lançamento dos campeonatos regulares, Evilázio empreendeu o intercâmbio dos atletas locais com o Campeonato Brasileiro, em João Pessoa, na Paraíba e em outros Estados. Foi assim que surgiu uma nova geração radical com destaque para Naninho, Paulo Roberto, Forlan, Pethó e outras feras. Mas o baluarte não resistiu à incompreensão de alguns pilotos e entregou o cargo no final de 2004.
Sergipe BMX Clube e Federação Sergipana de Ciclismo
A partir de 2005 o bicicross do menor Estado brasileiro foi assumido pelo Sergipe BMX Clube que, abraçado com a Federação Sergipana de Ciclismo, tem tentado criar uma pista oficial de racing, no Parque da Sementeira. A Prefeitura de Aracaju iniciou o projeto, mas ainda não concluiu, desestabilizando o movimento e enferrujando as bikes dos atletas, sem competições.
O maior desejo da modalidade atualmente é obter um espaço definitivo, com uma pista baseada nos moldes oficiais para a realização de eventos de maior porte, como sediar uma etapa do Campeonato Brasileiro e outros mais, além de preparar melhor os bikers para as provas de outros Estados.
Os Estados da Bahia e Paraíba têm estrutura completa em vários municípios, tanto no interior como nas capitais. É imbuído nessa idéia que Marcos “cross” e a turma têm trabalhado. Não adianta promover eventos só com a cara e a coragem. É importante salientar esta realidade.
Novos tempos
Apesar dos pesares, existem vários projetos em andamento. A esperança continua viva. Os pilotos de todas as categorias anseiam por novos tempos, pois o BMX evoluiu e tornou-se esporte olímpico, assim como o ciclismo e o cross country.
O amadurecimento existe em todos os segmentos ciclísticos sergipanos. Resta aos guerreiros do BMX trabalharem de mãos dadas para facilitar a conquista dos objetivos, que será sucesso para todos e a realização do sonho dos pioneiros (que sofreram muito mais), envolvidos em todos os processos. Esta é a receita para o êxito de qualquer empreendimento.Obs.: Os 25 anos do BMX, o movimento pioneiro em Sergipe, apenas começaram. Mãos à obra!